sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

CULTURA NA REGIÃO NOROESTE




A CULTURA EM ECOPORANGA TORNA-SE UM EXEMPLO PARA TODA A REGIÃO.
Ecoporanga tem sido um exemplo para o desenvolvimento cultural da Região Noroeste, basta dizer a impactante participação no Seminário de Elaboração do Plano Estadual de Cultura realizado em outubro no Município de Nova Venécia, sendo o Município que teve a maior participação contando com um número entorno de cinquenta cidadãos muito participativos.

Infelizmente no momento do Seminário não tivemos a presença do Município de Água Doce do Norte e Barra de São Francisco.

Participarão ainda, do Seminário os Municípios de Mantenópolis, Águia Branca, Nova Venécia, Vila Pavão, somando-se a participação de Ecoporanga.

Na oportunidade, após calorosos debates sobre o desenvolvimento cultural e aprovação de prioridades e propostas que contemplem a Região para o Fórum Estadual de Cultura, representando o Cineclube Eco Social do Município de Águia Branca e como cidadão e Produtor Cultural, fui eleito pelos Municípios presentes como Membro Titular Representando a Região Noroeste no Fórum Estadual de Cultura de Elaboração do Plano Estadual de Cultura, que norteará a nossas diretrizes culturais pelos próximos 10 anos.

Eu acredito no fortalecimento cultural de nossa Região e na contribuição significativa da cultura para todo o desenvolvimento, seja econômico ou social, vejo a cultura como um dos pilares mais importantes de um desenvolvimento.

“Todo o desenvolvimento, o progresso e a democracia não são completos senão estendidos à cultura. E o desenvolvimento econômico sem o desenvolver da cultura, tornar-se-á um dia o caos de nosso desenvolvimento humano e social e a insustentabilidade de nossa economia.”

No dia 12 de dezembro de 2012, das 08 horas às 17 horas, na Câmara de Vereadores de Ecoporanga, acontecerá o Fórum Municipal de Cultura de Ecoporanga.  Uma ação capitaneada entre jovens atuantes da cultura e apoiada pelo Departamento de Cultura do Município.

O Fórum terá os seguintes Eixos:

A criação de Grupos de Trabalho:

- Eixo Municipalização da Cultura Sugestões para a elaboração do Plano Municipal de Cultura e da Secretaria de Cultura;

- Eixo Cultura e Turismo – Meios a exploração de áreas;

- Eixo Interação do Meio Rural com a Cultura – Resgate das lutas Camponesas do Município;

- Eixo Negros e cultura – Demarcação de terras quilombolas, programas federais sobre a cultura negra;

- Eixo Educação e Cultura – Educação como base do desenvolvimento Cultural.

E contará com a presença de representantes da Secretaria de Estado da Cultura, convidados para participar e contribuir com o evento, Ana Saiter Lemos e Paulo Sena. Ainda haverá a presença do Comitê Organizador Noroeste Eleitos no Seminário do Plano Estadual de Cultura e outros convidados.

 Ao final do Fórum espera-se a realização de um Marco Cultural que será a entrega das prioridades aprovadas no Fórum e uma Carta da Cultura consagrando o que espera para o desenvolvimento cultural de Ecoporanga para os próximos anos.

É preciso compreender a importância deste evento, não só para o Município de Ecoporanga, mas também para toda a Região Noroeste. É necessário que os Gestores Públicos possam mudar as formas em de Gestão Cultural em nossa Região, mais ainda, é necessário que se promova um debate amplo e participativo com a Sociedade Civil Organizada e se crie um norte para a cultura em nossa Região, com o principio maior de desenvolvimento de nossa cultura com forte participação da sociedade e de nossas juventudes.

Nos últimos anos, a pasta da cultura no âmbito nacional e estadual vem tendo consequente atenção e cultura vem sendo reconhecida como um pilar importante ao desenvolvimento. E por aqui em nossa Região Noroeste?

Bom, na Região Noroeste são bem poucos os Municípios que possuem Secretarias específicas da Cultura, Conselhos Municipais de Cultura, Planos Municipais de Cultura, e por isso estão inaptos a conveniarem com recursos federais para a cultura. Mais do que isso, a nossa cultura e as nossas tradições têm se perdido na história e no tempo, na mesma velocidade em que os nossos jovens têm perdido as suas referências culturais, sociais e familiares; e então vão se enveredando por outros caminhos tão distantes do amor, da paz, e da fraternidade.

Precisamos fortalecer o nosso desenvolvimento cultural, não só do ponto de vista político, como também fortalecer a formação e capacitação, baseado na importância da cultura na consolidação dos valores sociais, na contraposição a interiorização da violência.

Não basta termos uma boa Polícia Militar e bem equiparada nas zonas periféricas atuando no combate ao crime, senão tivermos um desenvolvimento cultural fortalecido atuando na formação de nossos jovens e de nossas crianças. Sem este processo de formação cultural, continuaremos padecendo com a segurança pública e sofrendo com o aumento da violência em nossos Municípios e a disseminação das drogas outras problemáticas sociais.

Não podemos nos submeter somente ao combate contra a violência com violência. Precisamos criar um diálogo com a sociedade civil e iniciarmos um processo de formação cultural de nossas juventudes, resgates de nossos valores e só então, poderemos acreditar que toda esta interiorização da violência será reversível e poderemos ter um interior do  Estado mais calmo e com mais paz e fraternidade, como era antigamente.

Tiremos por exemplo quantas atividades culturais dos Municípios atuam nas comunidades menos favorecidas, nas periferias e nos morros? Contrapomos isso a desigualdade e justiça social. Entendo a complexidade destes temas, como é complexo debater tais assuntos. Mas eu acredito que um desenvolvimento cultural fortalecido e democrático pode ser um caldo para mudanças de comportamentos, surgimento de novas idéias e atitudes.
Nossa Região Noroeste sempre formou grandes ícones culturais, e em tempos passados, não ficamos as margens da história. Defendemos este Estado durante o contestados, doamos algumas áreas em alguns Municípios para construção de Presídios Estaduais no interior do Estado, e precisamos agora nos unir para uma ação em prol da cultura e da formação social, para podermos todos os Municípios da Região Noroeste atuarmos em contraposição as problemáticas sociais e da violência e o fomento de encaminhamentos em defesa de nossa cultura, em defesa da vida e do ser humano.

Precisamos mudar nossas Gestões Culturais e compreendermos a importância do Desenvolvimento Cultural para a nossa Região Noroeste. Podemos identificar que os Municípios que mantém as suas tradições e as suas culturas têm sido os Municípios que menos tiveram aumento de homicídios e da violência.

Fala-se sempre em cortar gastos e sempre se corta primeiro na pasta da cultura. E sempre com intuito de investir mais em educação e em saúde.

Mas um povo que tem um desenvolvimento cultural fortalecido é um povo onde a educação é mais qualificada e a é um povo com mais  saudável.

A cultura mais do que gerar respostas, deseja promover questionamentos, ação que toda arte traz vinculada a si mesma. Como nos disse o poeta Ferreira Gullar: “A arte transforma as pessoas e as pessoas transformam o país.

Nós precisamos começar a pensar em curto, médio e longo prazo, como iremos atuar na formação de nossas futuras gerações, e como a cultura pode contribuir de forma significativa para isso. Ressaltando de que não haverá futuras senão cuidarmos da nossa geração. É preciso urgentemente um começo.

Baseados nestes princípios expostos neste artigo, é preciso parabenizar ao Município de Ecoporanga pela mobilização, certamente é um exemplo a ser seguido.
Torço para que todo o evento tenha uma participação massiva e efetiva de toda a Sociedade Ecoporanguense, em especial, da juventude e sociedade civil organizada. E que os outros Municípios da Região Noroeste possam promover também os seus Fóruns Municipais, quem sabe, possamos promover um Fórum Regional de Cultura.

Aproveito para convidar aos Municípios que compõe o Comitê Noroeste de Organização do Plano Estadual de Cultura, que enviem os seus membros eleitos para o Fórum de Ecoporanga, quando estaremos também realizando a primeira Reunião do Comitê para debatermos sobre os Editais do Fundo Estadual de Cultura para o exercício de 2013, aprovarmos um calendário de reuniões do Comitê, e debatermos sobre as funções e ações do Comitê na Região Noroeste.

Por Luciano Guimarães de Freitas
Membro Titular Região Noroeste no Fórum Estadual de Cultura.
Produtor Cultural.
Presidente do Cineclube Eco Social e Sócio Fundador do Cineclube Imagem em Movimento.
Atuante no Movimento Nacional de Cineclubes desde 2004.
Poeta.
                                                                                  

Águia Branca- ES – 07 de dezembro de 2012.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cineclubando: O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO

Cineclubando: O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO: O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO. O cineclubismo no Espírito Santo vem em um intenso desenvolvimento desde o ano de 2003 que mar...

O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO


O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO.



O cineclubismo no Espírito Santo vem em um intenso desenvolvimento desde o ano de 2003 que marca a rearticulação nacional do movimento cineclubista no Brasil, após uma década de desarticulação durante o período Pós Ditadura Militar.

Historicamente, o Cineclubismo tem por base a formação de público para o cinema e a contraposição ao monopólio de mercado, lutando pelo acesso a filmes considerados sem tela, ou em específico, o acesso ao cinema nacional e o acesso ao cinema por outra estética que não seja o tratamento do cinema como produto de consumo e não como cultura.

O Estado do Espírito Santo, sempre teve uma atuação fundamental no desenvolvimento do audiovisual brasileiro, seja através da participação do Estado no Movimento Cineclubista ou na participação do Estado em outras Entidades, como a Associação Brasileira de Documentaristas e Curta Metragistas.

No entanto, vamos discorrer aqui, mais especificamente sobre o Cineclubismo.

Durante este processo de retomada e rearticulação do Cineclubismo no Espírito Santo, é importante salientar que o Estado já chegou a registrar mais de 30 cineclubes na década de 80, difundidos em diversas regiões. Na própria Universidade Federal, chegamos a registrar mais cinco cineclubes divididos em diversos Centros de Ensinos de variados cursos, sendo o Cineclube Universitário o Centro Irradiador do Cineclubismo no Estado.

Hoje, após oito anos vivenciados desde o ano de 2004 quando o Estado do Espírito Santo participou da 25ª Jornada Nacional de Cineclubes realizada em São Paulo/SP e que marcou a rearticulação do movimento, quando o Estado foi representando por nove cineclubes; notamos um intenso e diversificado desenvolvimento do Cineclubismo no Estado do Espírito Santo. Mesmo quando somente no Ano de 2010 conseguiu-se de fato, após várias tentativas, dar um início a legitimidade de uma Entidade Estadual Representativa do Movimento no ES.

Ainda, observamos alguns parâmetros diferenciais entre o Movimento Cineclubista de hoje e o da década de 80. Na década de 80, até onde fomos capazes de nos aprofundar, a grande máxima do Cineclubismo era a formação de público para o cinema, o acesso a filmes de arte que não chegavam ao circuito exibidor, a contraposição a Ditadura e Censura, e outros aspectos. Levando em conta, que desde que surgiu o movimento no mundo, sempre foi voltado para a formação de público, para a democratização do acesso ao cinema, e para o acesso aos filmes excluídos do monopólio comercial.

Atualmente, percebemos uma diversidade de cineclubes surgindo, dentro de suas diversas lutas e bandeiras, ou mesmo, dentro de diversos e ricos gêneros. No Espírito Santo, os cineclubes vão desde a exibição e debate sobre o meio ambiente, diversidade cultural, educação, formação, até o debate com segmentos sociais, e ainda, cineclubes que atuam na defesa e acesso ao cinema capixaba e que marcam a volta do cinema no Bar.

A exemplo desta diversidade, o Cineclube Eco Social que é um centro irradiador do Cineclubismo na Região Noroeste, que teve suas atividades até o ano de 2008 voltadas para exibição de filmes ambientais dentro do Parque Natural Municipal Recanto do Jacaré, no município de Águia Branca. Atualmente, o Eco Social, atua na formação do olhar através do audiovisual , dentro de uma escola estadual, tendo como público direto adolescentes e jovens.

O Cineclube Colorado, que hoje comemora três anos de existência, e vem cumprir o papel da retomada do Cinema no Bar, realizando exibições e mostras de filmes, em no espaço do famoso Bar do Pantera, em Campo Grande Cariacica. Estivemos a pouco, participando do 1º Curta Colorado, uma mostra de Produções Independentes Capixabas que teve grande destaque na mídia impressa do Estado.

O Cineclube Olho da Rua, uma ação do Centro de Comunicação Popular Olho da Rua, uma turma de jovens atuantes em diversas frente de luta e formação crítica, que desenvolve um trabalho de formação social, humana e política. O Cineclube Olho da Rua, torna-se um cineclube diferenciado, voltado diretamente a formação do ser humano e elencado em diversas frentes, como o Fórum da “Não Violência as Mulheres”, Movimento Negro, etc.

O Cineclube Lagoa, que atua na Região Serrana, em Afonso Cláudio, mais especificamente, em um pequeno recanto pomerano chamado de Lagoa ou Serra Pelada, através da Associação Diacônica Luterana, possibilitando a democratização e o acesso não só ao cinema como as novas tecnologias, atuando em conjunto com o Núcleo de Produção Audiovisual Lagoa, realizando além da exibição de filmes a produção dos seus próprios filmes junto com a comunidade local.

E há o ressurgimento de Cineclubes mais antigos, como o Cineclube Guadala, que atua na democratização do acesso ao cinema para a comunidade, o Cineclube Cinescam que atua com exibição de filmes na Faculdade de Medicina Emescam.

Enfim, após o ano de 2012, quando tivemos pela primeira vez após a rearticulação do Movimento Cineclubista no Espírito Santo, de forma efetiva, um Edital específico voltado para Manutenção dos Cineclubes e Formação de Agentes Cineclubistas, o movimento no Estado começa a dar ascensão a sua organização enquanto movimento que pode vir a ser um dos mais organizados e articulados do Estado, estando hoje, presente em quase todas as Regiões do Estado, além de que, em quase todos os Municípios da Região Metropolitana.

São diversos os desafios, mas certamente este momento vivenciado tem sido rico, atuando para além do acesso ao cinema, mas contribuindo de forma significativa ao desenvolvimento e formação humana, através do audiovisual que é hoje estímulo presente em quase a totalidade de nosso cotidiano incutido de seu poder indutivo, persuasivo e de alienação.

O Cineclube então surge em diversos espaços sociais e políticos, como um rico potencializador do diálogo e da formação do olhar e do senso crítico, e deixa de ser apenas uma atividade ligada diretamente ao cinema, mas que se propõe também como Movimento Social Político; político no sentido de propor democraticamente debates sobre o desenvolvimento social e humano. Sendo assim, este Cineclubismo passa a contribuir na formação das futuras gerações e passa assumir novas bandeiras de luta, que extrapolam os limites da exibição apenas.

Quando o diálogo hoje é algo que vem se perdendo ou encontrando diversas complexidades, o Cineclubismo surge como uma rica proposta ao encontro de ideias, fomento de ações sociais, debate sobre diversas causas e lutas utilizando-se da projeção de filmes, espaço fundamental do encontro de jovens que além de ver o cinema, querem hoje também se ver nas telas, e além de se verem querem através das telas contribuírem a tantas lutas que para além da diversidade, possam formar o cidadão.

Mais poeticamente, concluo, com duas frases de dois grandes ícones do Cineclubismo capixaba, e por suas histórias de militância e significante contribuição, também do Cineclubismo Nacional e Internacional.

“Se é movimento é porque se movimenta, e se movimenta há que transformar, e se transforma há que formar uma sociedade melhor.” (Claudino de Jesus – Presidente da Federação Internacional de Cineclubes).

“Quem começou em um cineclube, não deixará de ser cineclubista jamais. Participar de um cineclube é posicionar perante a vida.” (Orlando Bonfim, Cineclubista e Cineasta).

Luciano Guimarães de Freitas.
Militante do Cineclubismo desde 2004.
Presidente do Cineclube Eco Social Águia Branca.
Articulador do Cineclubismo na Região Noroeste do ES.
Colaborador e Sócio Fundador de diversos cineclubes do ES.



Vitória - ES, 03 de dezembro de 2012.

domingo, 18 de março de 2012

Cineclubando: DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...

Cineclubando: DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...: DO COTIDIANO À NASCENTE DO CINECLUBISMO. Peculiaridades de minha vida comum. Uma homenagem ao meu imensurável amigo, Antônio Claudino de J...

Cineclubando: DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...

Cineclubando: DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...: DO COTIDIANO À NASCENTE DO CINECLUBISMO. Peculiaridades de minha vida comum. Uma homenagem ao meu imensurável amigo, Antônio Claudino de J...

DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...

DO COTIDIANO À NASCENTE DO CINECLUBISMO.
Peculiaridades de minha vida comum.
Uma homenagem ao meu imensurável amigo, Antônio Claudino de Jesus.

É talvez mais um dia, apenas mais um dia na odisséia de minha vida. Queria dormir mais um pouco, ser envolto e estar preso pelo lençol à cama. Mas talvez eu seja mais um “ser programado” pela robótica rotina da sociedade humana.

Enfim, tomado pelo vírus de minha consciência levanto-me. Banhado da espada de meus delírios lúcidos e da certeza da transformação que eu vivo e a transformação e metamorfose cíclica que é a vida.

Meu caminho do apartamento até a banca de revistas é uma jornada em mais um dia na condição de meus pensamentos mortais. Adoro ler jornal, só não gosto tanto dos conteúdos que compõem o jornal. Mas ainda assim, sigo a jornada cíclica da vida.

Um bom dia ao porteiro, as belas pernas da mulher que passa por mim na calçada, o cachorro que tem o seu passeio matinal, o jornal e o vício de minha leitura

Eu me pergunto por que eu gosto de ler o jornal, se mudam os personagens, mas a trama é a mesma: violência, assalto, estrupo e violência sexual, hospitais lotados e promessas de um político que se acha um messias, mas têm a penitência de ser o diabo, pai da mentira, ou mesmo um falso profeta popular.

A salvação seria o caderno cultural, mas convenhamos que se a cultura é o resumo das novelas, nossa cultura anda em profunda decadência. Recorro aos filmes e suas sinopses, mas triste pela procura, raras vezes, consigo contemplar os filmes nacionais.

Da banca, sigo para a longa espera do ônibus coletivo, que carinhosamente chamo de “coletivo urbano”. Lá eu me encontro: ônibus lotado, o calor humano de um estresse extasiante.

O trânsito se entrelaça, devagar anda, é novo dia de um dia igual aos outros... O que transforma?
Transforma-me ver além dos uniformes das Empresas, marcas capitalistas que distinguem um trabalhador do outro. Transforma-me ver além da menina que prefere o MP3 a um bom papo.

Eu embarco na linha 507, Terminal de Laranjeiras ao Terminal do IBES, o trajeto é comum, o trânsito pela manhã nos parece uma tribulação profética, mas como todo ser temos nosso purgatório antes da redenção.

Chegamos a 3ª ponte, da capital do Espírito Santo, Município de Vitória, para a velha capital conhecida por Vila Velha; e como a transição do novo mundo para o velho mundo, é cheio de muitas histórias e lindas paisagens: o mar, o Convento da Penha, o porto, os catraieiros, os navios, tão logo sigo entregue aos ensejos e desejos da viagem.

Diante de tais maravilhas, destas lindas paisagens e representações, eu viajo por delírios e pensamentos inconstantes, não menos reais ou mais surreais.

Penso nas pessoas que um dia pensaram em se jogar da 3ª ponte no cumprimento do suicídio, talvez se conseguissem deixar de olhar “a dor e o sofrimento” e pudessem olhar a simplicidade das maravilhas entorno, amariam mais a vida. Verdade é que se não conseguem olhar as simples belezas e as raras paisagens que pairam em seus corações ou mesmo não conseguem caminhar pelos caminhos da emoção dentre de cada ser, dificilmente conseguirão olhar as graças e divinas de tais paisagens que os cercam.

A viagem continua, e após uma hora de romaria, enfim chego ao Terminal do Ibes.

Incrível é perceber; enquanto faço a minha jornada até o IBES, outras pessoas seguem sua matinal na contramão de meu sentido, constato que cada viagem é repleta do mesmo calor humano, mas ao mesmo, é tão diferente uma da outra e ainda mais complexa diante do ponto de vista de cada indivíduo. O que me confirma a tese de que nada é exato e tudo tem um ponto de princípio.

Eu desembarco e sigo minha odisséia matinal, me deparo com Jardim Guadalajara, e lá me recolho no recanto do cinema e do cineclubismo, lá estou na Rua Fernando de Noronha, envolto de pinturas, livros, retratos e claro, de muitos filmes.

Neste recanto, sou tomado pelo vírus incurável do cineclubismo, o desejo incessante de enxergar o mundo por outra estética que não seja esta robótica odisséia de consumo.

Posso dizer “que este recanto cineclubista para mim, está para uma nascente de rios cineclubistas, como o cineclubismo é a nascente principal do cinema brasileiro.”

Aqui, me deleito com as palavras, com os olhares, expressões, do fiel amigo Antônio Claudino de Jesus, queria defini-lo nesta crônica, mas a complexibilidade da mente humana é como a definição de “Claudino”.

Ele acorda, senta diante do computador, digita projetos, fomenta idéias em defesa do cinema e do audiovisual, em defesa do cinema de todos e para todos. Expõe idéias, conversa com os diversos setores do audiovisual, ouve, fala, escreve, debate e é debatido. Produz e recebe cultura.

Ao mesmo tempo, uma linda criança passa mal... E enquanto isso eu vou escrevendo esta crônica... Um carro buzina na rua, o cachorro late, o sobrinho liga, ele sai, conversa e aconselha e acolhe os amigos e a família, enfim a rotina grita, os delírios e sonhos resistem, e a vida segue. Ele sorri, toma café, conhaque, chora, sorri. Se alegra com a criança, divide a alegria com os amigos, aos mesmo que é capaz de sofrer cada sofrimento de cada amigo, é uma complexidade de dor e alegria, mas que resume no seu verdadeiro amor enquanto ser humano, sempre disposto a se doar.

Estar no recanto do Claudino, é assim... Uma pessoa que ama a todos e vive por todos, e ainda vive pelo cineclubismo. Um ser capaz de sorrir, de chorar, no entanto, é incapaz de não abraçar outro ser humano, um ser que tem sede de amar e necessita ser amado.

Clau é como uma daquelas paisagens quando viajamos para o interior, para as zonas rurais - sempre há uma imagem da pastagem e em meio ao pasto, uma árvore viva, que nos concede o sentimento de resistência, reflexão, solidão. Esta árvore resiste os furações da vida, ao desmatamento da esperança nos dias de hoje, esta árvore é sim, como Antônio Claudino de Jesus.

Assim como a árvore, Claudino é uma beleza rara. È um “jurássico” do cineclubismo e ao mesmo que é, fonte de inspiração, ao mesmo que renova suas forças e renasce como uma criança, em novas lutas e novas batalhas na missão de ser humano que é. Entendo e talvez seja até difícil compreender, que Clau é um destes seres iluminados, que nascem para doar sua vida em prol da humanidade.

Voltemos tão somente à casa do Claudino, estar aqui é saber que mesmo diante das adversidades desta odisséia robótica da vida, podemos ser felizes, sonhar e lutar por um ideal.

Aqui descubro que no filme da vida, em cada segundo e plano, seu roteiro é escrito a cada milésimo de segundo. Sendo modificado constantemente e continuamente.

Na certeza de que neste filme da vida, somos atores contracenando a existência, somos fotogramas e olhares que se refletem em imagens em movimento, e nos movimentamos na arte de sermos vida, na condição de sermos mais que humanos, sob a Direção de um universo maior e de um diretor maior que eu particularmente denomino com o nome supremo de DEUS.

Por Luciano Guimarães de Freitas
Poeta, Escritor
Militante do Cineclubismo desde 2004




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012