Espaço de convergências de idéias. O nascimento do olhar diante do reflexo da imagem em movimento. Cineclubar, é mais que um verbo, é se posicionar perante a vida, é lutar pelo direito do público de ter acesso ao cinema.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Cineclubando: O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO
Cineclubando: O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO: O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO. O cineclubismo no Espírito Santo vem em um intenso desenvolvimento desde o ano de 2003 que mar...
O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO
O CINECLUBISMO NO ESPÍRITO SANTO.
O cineclubismo no Espírito Santo
vem em um intenso desenvolvimento desde o ano de 2003 que marca a rearticulação
nacional do movimento cineclubista no Brasil, após uma década de desarticulação
durante o período Pós Ditadura Militar.
Historicamente, o Cineclubismo
tem por base a formação de público para o cinema e a contraposição ao monopólio
de mercado, lutando pelo acesso a filmes considerados sem tela, ou em
específico, o acesso ao cinema nacional e o acesso ao cinema por outra estética
que não seja o tratamento do cinema como produto de consumo e não como cultura.
O Estado do Espírito Santo,
sempre teve uma atuação fundamental no desenvolvimento do audiovisual
brasileiro, seja através da participação do Estado no Movimento Cineclubista ou
na participação do Estado em outras Entidades, como a Associação Brasileira de
Documentaristas e Curta Metragistas.
No entanto, vamos discorrer aqui,
mais especificamente sobre o Cineclubismo.
Durante este processo de retomada
e rearticulação do Cineclubismo no Espírito Santo, é importante salientar que o
Estado já chegou a registrar mais de 30 cineclubes na década de 80, difundidos
em diversas regiões. Na própria Universidade Federal, chegamos a registrar mais
cinco cineclubes divididos em diversos Centros de Ensinos de variados cursos,
sendo o Cineclube Universitário o Centro Irradiador do Cineclubismo no Estado.
Hoje, após oito anos vivenciados
desde o ano de 2004 quando o Estado do Espírito Santo participou da 25ª Jornada
Nacional de Cineclubes realizada em São Paulo/SP e que marcou a rearticulação
do movimento, quando o Estado foi representando por nove cineclubes; notamos um
intenso e diversificado desenvolvimento do Cineclubismo no Estado do Espírito
Santo. Mesmo quando somente no Ano de 2010 conseguiu-se de fato, após várias
tentativas, dar um início a legitimidade de uma Entidade Estadual
Representativa do Movimento no ES.
Ainda, observamos alguns
parâmetros diferenciais entre o Movimento Cineclubista de hoje e o da década de
80. Na década de 80, até onde fomos capazes de nos aprofundar, a grande máxima
do Cineclubismo era a formação de público para o cinema, o acesso a filmes de
arte que não chegavam ao circuito exibidor, a contraposição a Ditadura e
Censura, e outros aspectos. Levando em conta, que desde que surgiu o movimento
no mundo, sempre foi voltado para a formação de público, para a democratização
do acesso ao cinema, e para o acesso aos filmes excluídos do monopólio
comercial.
Atualmente, percebemos uma
diversidade de cineclubes surgindo, dentro de suas diversas lutas e bandeiras,
ou mesmo, dentro de diversos e ricos gêneros. No Espírito Santo, os cineclubes
vão desde a exibição e debate sobre o meio ambiente, diversidade cultural,
educação, formação, até o debate com segmentos sociais, e ainda, cineclubes que
atuam na defesa e acesso ao cinema capixaba e que marcam a volta do cinema no
Bar.
A exemplo desta diversidade, o
Cineclube Eco Social que é um centro irradiador do Cineclubismo na Região
Noroeste, que teve suas atividades até o ano de 2008 voltadas para exibição de
filmes ambientais dentro do Parque Natural Municipal Recanto do Jacaré, no
município de Águia Branca. Atualmente, o Eco Social, atua na formação do olhar
através do audiovisual , dentro de uma escola estadual, tendo como público
direto adolescentes e jovens.
O Cineclube Colorado, que hoje
comemora três anos de existência, e vem cumprir o papel da retomada do Cinema
no Bar, realizando exibições e mostras de filmes, em no espaço do famoso Bar do
Pantera, em Campo Grande Cariacica. Estivemos a pouco, participando do 1º Curta
Colorado, uma mostra de Produções Independentes Capixabas que teve grande
destaque na mídia impressa do Estado.
O Cineclube Olho da Rua, uma ação
do Centro de Comunicação Popular Olho da Rua, uma turma de jovens atuantes em
diversas frente de luta e formação crítica, que desenvolve um trabalho de
formação social, humana e política. O Cineclube Olho da Rua, torna-se um
cineclube diferenciado, voltado diretamente a formação do ser humano e elencado
em diversas frentes, como o Fórum da “Não Violência as Mulheres”, Movimento
Negro, etc.
O Cineclube Lagoa, que atua na
Região Serrana, em Afonso Cláudio, mais especificamente, em um pequeno recanto
pomerano chamado de Lagoa ou Serra Pelada, através da Associação Diacônica
Luterana, possibilitando a democratização e o acesso não só ao cinema como as
novas tecnologias, atuando em conjunto com o Núcleo de Produção Audiovisual
Lagoa, realizando além da exibição de filmes a produção dos seus próprios
filmes junto com a comunidade local.
E há o ressurgimento de
Cineclubes mais antigos, como o Cineclube Guadala, que atua na democratização
do acesso ao cinema para a comunidade, o Cineclube Cinescam que atua com
exibição de filmes na Faculdade de Medicina Emescam.
Enfim, após o ano de 2012, quando
tivemos pela primeira vez após a rearticulação do Movimento Cineclubista no
Espírito Santo, de forma efetiva, um Edital específico voltado para Manutenção
dos Cineclubes e Formação de Agentes Cineclubistas, o movimento no Estado
começa a dar ascensão a sua organização enquanto movimento que pode vir a ser
um dos mais organizados e articulados do Estado, estando hoje, presente em
quase todas as Regiões do Estado, além de que, em quase todos os Municípios da
Região Metropolitana.
São diversos os desafios, mas
certamente este momento vivenciado tem sido rico, atuando para além do acesso
ao cinema, mas contribuindo de forma significativa ao desenvolvimento e
formação humana, através do audiovisual que é hoje estímulo presente em quase a
totalidade de nosso cotidiano incutido de seu poder indutivo, persuasivo e de
alienação.
O Cineclube então surge em
diversos espaços sociais e políticos, como um rico potencializador do diálogo e
da formação do olhar e do senso crítico, e deixa de ser apenas uma atividade
ligada diretamente ao cinema, mas que se propõe também como Movimento Social
Político; político no sentido de propor democraticamente debates sobre o
desenvolvimento social e humano. Sendo assim, este Cineclubismo passa a
contribuir na formação das futuras gerações e passa assumir novas bandeiras de
luta, que extrapolam os limites da exibição apenas.
Quando o diálogo hoje é algo que vem
se perdendo ou encontrando diversas complexidades, o Cineclubismo surge como
uma rica proposta ao encontro de ideias, fomento de ações sociais, debate sobre
diversas causas e lutas utilizando-se da projeção de filmes, espaço fundamental
do encontro de jovens que além de ver o cinema, querem hoje também se ver nas
telas, e além de se verem querem através das telas contribuírem a tantas lutas
que para além da diversidade, possam formar o cidadão.
Mais poeticamente, concluo, com
duas frases de dois grandes ícones do Cineclubismo capixaba, e por suas
histórias de militância e significante contribuição, também do Cineclubismo
Nacional e Internacional.
“Se é movimento é porque se movimenta, e se movimenta há que
transformar, e se transforma há que formar uma sociedade melhor.” (Claudino de
Jesus – Presidente da Federação Internacional de Cineclubes).
“Quem começou em um cineclube, não deixará de ser cineclubista jamais.
Participar de um cineclube é posicionar perante a vida.” (Orlando Bonfim,
Cineclubista e Cineasta).
Luciano Guimarães de Freitas.
Militante do Cineclubismo desde 2004.
Presidente do Cineclube Eco Social Águia Branca.
Articulador do Cineclubismo na Região Noroeste do ES.
Colaborador e Sócio Fundador de diversos cineclubes do ES.
Militante do Cineclubismo desde 2004.
Presidente do Cineclube Eco Social Águia Branca.
Articulador do Cineclubismo na Região Noroeste do ES.
Colaborador e Sócio Fundador de diversos cineclubes do ES.
Vitória
- ES, 03 de dezembro de 2012.
domingo, 18 de março de 2012
Cineclubando: DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...
Cineclubando: DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...: DO COTIDIANO À NASCENTE DO CINECLUBISMO. Peculiaridades de minha vida comum. Uma homenagem ao meu imensurável amigo, Antônio Claudino de J...
Cineclubando: DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...
Cineclubando: DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...: DO COTIDIANO À NASCENTE DO CINECLUBISMO. Peculiaridades de minha vida comum. Uma homenagem ao meu imensurável amigo, Antônio Claudino de J...
DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...
DO COTIDIANO À NASCENTE DO CINECLUBISMO.
Peculiaridades de minha vida comum.
Uma homenagem ao meu imensurável amigo, Antônio Claudino de Jesus.
Peculiaridades de minha vida comum.
Uma homenagem ao meu imensurável amigo, Antônio Claudino de Jesus.
É talvez mais um dia, apenas mais um dia na odisséia de minha vida. Queria dormir mais um pouco, ser envolto e estar preso pelo lençol à cama. Mas talvez eu seja mais um “ser programado” pela robótica rotina da sociedade humana.
Enfim, tomado pelo vírus de minha consciência levanto-me. Banhado da espada de meus delírios lúcidos e da certeza da transformação que eu vivo e a transformação e metamorfose cíclica que é a vida.
Meu caminho do apartamento até a banca de revistas é uma jornada em mais um dia na condição de meus pensamentos mortais. Adoro ler jornal, só não gosto tanto dos conteúdos que compõem o jornal. Mas ainda assim, sigo a jornada cíclica da vida.
Um bom dia ao porteiro, as belas pernas da mulher que passa por mim na calçada, o cachorro que tem o seu passeio matinal, o jornal e o vício de minha leitura
Eu me pergunto por que eu gosto de ler o jornal, se mudam os personagens, mas a trama é a mesma: violência, assalto, estrupo e violência sexual, hospitais lotados e promessas de um político que se acha um messias, mas têm a penitência de ser o diabo, pai da mentira, ou mesmo um falso profeta popular.
A salvação seria o caderno cultural, mas convenhamos que se a cultura é o resumo das novelas, nossa cultura anda em profunda decadência. Recorro aos filmes e suas sinopses, mas triste pela procura, raras vezes, consigo contemplar os filmes nacionais.
Da banca, sigo para a longa espera do ônibus coletivo, que carinhosamente chamo de “coletivo urbano”. Lá eu me encontro: ônibus lotado, o calor humano de um estresse extasiante.
O trânsito se entrelaça, devagar anda, é novo dia de um dia igual aos outros... O que transforma?
Transforma-me ver além dos uniformes das Empresas, marcas capitalistas que distinguem um trabalhador do outro. Transforma-me ver além da menina que prefere o MP3 a um bom papo.
Eu embarco na linha 507, Terminal de Laranjeiras ao Terminal do IBES, o trajeto é comum, o trânsito pela manhã nos parece uma tribulação profética, mas como todo ser temos nosso purgatório antes da redenção.
Chegamos a 3ª ponte, da capital do Espírito Santo, Município de Vitória, para a velha capital conhecida por Vila Velha; e como a transição do novo mundo para o velho mundo, é cheio de muitas histórias e lindas paisagens: o mar, o Convento da Penha, o porto, os catraieiros, os navios, tão logo sigo entregue aos ensejos e desejos da viagem.
Diante de tais maravilhas, destas lindas paisagens e representações, eu viajo por delírios e pensamentos inconstantes, não menos reais ou mais surreais.
Penso nas pessoas que um dia pensaram em se jogar da 3ª ponte no cumprimento do suicídio, talvez se conseguissem deixar de olhar “a dor e o sofrimento” e pudessem olhar a simplicidade das maravilhas entorno, amariam mais a vida. Verdade é que se não conseguem olhar as simples belezas e as raras paisagens que pairam em seus corações ou mesmo não conseguem caminhar pelos caminhos da emoção dentre de cada ser, dificilmente conseguirão olhar as graças e divinas de tais paisagens que os cercam.
A viagem continua, e após uma hora de romaria, enfim chego ao Terminal do Ibes.
Incrível é perceber; enquanto faço a minha jornada até o IBES, outras pessoas seguem sua matinal na contramão de meu sentido, constato que cada viagem é repleta do mesmo calor humano, mas ao mesmo, é tão diferente uma da outra e ainda mais complexa diante do ponto de vista de cada indivíduo. O que me confirma a tese de que nada é exato e tudo tem um ponto de princípio.
Eu desembarco e sigo minha odisséia matinal, me deparo com Jardim Guadalajara, e lá me recolho no recanto do cinema e do cineclubismo, lá estou na Rua Fernando de Noronha, envolto de pinturas, livros, retratos e claro, de muitos filmes.
Neste recanto, sou tomado pelo vírus incurável do cineclubismo, o desejo incessante de enxergar o mundo por outra estética que não seja esta robótica odisséia de consumo.
Posso dizer “que este recanto cineclubista para mim, está para uma nascente de rios cineclubistas, como o cineclubismo é a nascente principal do cinema brasileiro.”
Aqui, me deleito com as palavras, com os olhares, expressões, do fiel amigo Antônio Claudino de Jesus, queria defini-lo nesta crônica, mas a complexibilidade da mente humana é como a definição de “Claudino”.
Ele acorda, senta diante do computador, digita projetos, fomenta idéias em defesa do cinema e do audiovisual, em defesa do cinema de todos e para todos. Expõe idéias, conversa com os diversos setores do audiovisual, ouve, fala, escreve, debate e é debatido. Produz e recebe cultura.
Ao mesmo tempo, uma linda criança passa mal... E enquanto isso eu vou escrevendo esta crônica... Um carro buzina na rua, o cachorro late, o sobrinho liga, ele sai, conversa e aconselha e acolhe os amigos e a família, enfim a rotina grita, os delírios e sonhos resistem, e a vida segue. Ele sorri, toma café, conhaque, chora, sorri. Se alegra com a criança, divide a alegria com os amigos, aos mesmo que é capaz de sofrer cada sofrimento de cada amigo, é uma complexidade de dor e alegria, mas que resume no seu verdadeiro amor enquanto ser humano, sempre disposto a se doar.
Estar no recanto do Claudino, é assim... Uma pessoa que ama a todos e vive por todos, e ainda vive pelo cineclubismo. Um ser capaz de sorrir, de chorar, no entanto, é incapaz de não abraçar outro ser humano, um ser que tem sede de amar e necessita ser amado.
Clau é como uma daquelas paisagens quando viajamos para o interior, para as zonas rurais - sempre há uma imagem da pastagem e em meio ao pasto, uma árvore viva, que nos concede o sentimento de resistência, reflexão, solidão. Esta árvore resiste os furações da vida, ao desmatamento da esperança nos dias de hoje, esta árvore é sim, como Antônio Claudino de Jesus.
Assim como a árvore, Claudino é uma beleza rara. È um “jurássico” do cineclubismo e ao mesmo que é, fonte de inspiração, ao mesmo que renova suas forças e renasce como uma criança, em novas lutas e novas batalhas na missão de ser humano que é. Entendo e talvez seja até difícil compreender, que Clau é um destes seres iluminados, que nascem para doar sua vida em prol da humanidade.
Voltemos tão somente à casa do Claudino, estar aqui é saber que mesmo diante das adversidades desta odisséia robótica da vida, podemos ser felizes, sonhar e lutar por um ideal.
Aqui descubro que no filme da vida, em cada segundo e plano, seu roteiro é escrito a cada milésimo de segundo. Sendo modificado constantemente e continuamente.
Na certeza de que neste filme da vida, somos atores contracenando a existência, somos fotogramas e olhares que se refletem em imagens em movimento, e nos movimentamos na arte de sermos vida, na condição de sermos mais que humanos, sob a Direção de um universo maior e de um diretor maior que eu particularmente denomino com o nome supremo de DEUS.
Por Luciano Guimarães de Freitas
Poeta, Escritor
Militante do Cineclubismo desde 2004
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Cineclubando: CINECLUBISMOS X HISTÓRIA X CRISE X DESENVOLVIMENTO...
Cineclubando: CINECLUBISMOS X HISTÓRIA X CRISE X DESENVOLVIMENTO...: Da varanda de minha casa, na transe de meus pensamentos, eclosão de meu coração cineclubista, nos delírios de minha mente insana. "Era uma ...
CINECLUBISMOS X HISTÓRIA X CRISE X DESENVOLVIMENTO HUMANO E CULTURAL
Da varanda de minha casa, na transe de meus pensamentos, eclosão de meu coração cineclubista, nos delírios de minha mente insana.
"Era uma tarde, estava por ali, vivendo minha primeira Jornada Nacional de Cineclubes, o evento, a 25ª Jornada, após uma década de desarticulação. Embates de pensamentos e vertentes de ditos grupos e defesas de ideais. "
"Entre as entrevistas com ditos considerados hoje como dinossauros do Movimento Cineclubista, entre uma entrevista que presenciei com os "Feios, Sujos e Malvados" e a convivência tanto com o ambiente do debate e como com momentos de desrespeito a história individual e ao amor de cada militante ao cineclubismo. Quando quase que o evento vira um palco de guerra, sendo salvo pela lucidez de seus participantes. Estava eu ali, apenas um jovem sedento de libertação e aprendizado, apenas mais um nascimento de mais um cineclubista. Aconteceu ali, próximo ao cruzamento da Av. Ipiranga com a Av. São João, quando alguma coisa aconteceu em meu coração."
CINECLUBISMOS X HISTÓRIA X CRISE X DESENVOLVIMENTO HUMANO E CULTURAL
Eu, na minha mais lúcida loucura, revendo textos e vídeos sobre o cineclubismo, me peguei hoje na ousadia de escrever a minha visão, as minhas idéias não são pregações e teorias a serem seguidas, mas me são o que resulta no meu grito e amor ao cineclubismo.
Sim houve época que me trai, trai os meus sonhos, minha própria fé na vida e no ser humano. Todos nós temos o direito de errar um dia, e o mesmo direito de reconstruir nossas atitudes. Todos nós um dia caímos, um dia nos levantamos. O que nos dignifica e nos permanece é jamais desistir de nossos sonhos. Entre tragédias de minha vida comum, porres de ópio humano, foi o cineclubismo a base de minha formação enquanto ser humano.
Conheci o Movimento Cineclubista no idos da 25ª Jornada Nacional de Cineclubes, ocorrida em São Paulo, era apenas um jovem, que compunha a retomada do Movimento, de forma tímida, mas sim, fui um dos jovens que ali iniciava trajetória e caminhada pelo cineclubismo. Para mim, que sou espírito-santense (tenho receios da palavra capixaba, pois não a reconheço como substantivo que defina o povo nascido no Espírito Santo, a acho pronome de quem nasça apenas na Capital), fiquei maravilhado tanto pelo debate, como encantado com a participação do Espírito Santo, e a união do Movimento entorno do Presidente Eleito Antônio Claudino de Jesus, que acima de Espírito-Santense, acima de militante e ícone do movimento cineclubista do Espírito Santo, eleito foi e presidente foi por mais 03 Gestões Bianuais, unido e consoante com um Coletivo de Cineclubistas que acreditaram numa corrente histórica na retomada do Movimento. Prevalece o respeito ao individuo e a consagração do coletivo.
Sim, de 2004 aos idos de 2012, foram grandes vitórias, se houveram derrotas, tudo é conjunto de aprendizado.
O Movimento cresceu, avassaladoramente, atingindo todos os Estados Brasileiros, hoje, composto por diversos cineclubistas que atuam em diversos Movimento Sociais. Ao longo de a cada dois anos, sofre um forte processo de renovação e reoxigenação, é permanente o crescimento e viável perceber as tantas vertentes e idéias e peculiaridades que vem se agregando ao Movimento ao longo dos quase 07 anos de rearticulação.
Todo crescimento, tem seus destaques, suas ponderações e arguições, como também, tem seus entraves.
O que venho consagrar neste meu grito, é o sentimento que sonho emanar pelo Movimento Brasileiro, que é o amor ao que fazemos, ao que representamos, ao que somos.
Este movimento é a base de todo processo cinematográfico, mas que hoje se insere nos processos de desenvolvimento humano e social, e claro, cultural.
Temos um cadeira no Conselho Consultivo da SAv, atuação fundamental no Congresso Brasileiro de Cinema, forte identificação e aproximação com a Associação Brasileira de Documentarista e Curtametragistas, e além de representação, ícones fundamentais de colaboração, participação e atuação no cenário do Movimento Cineclubista Internacional.
O Movimento hoje, é reconhecido e respeitado, enfim temos o respaldo de anos de desenvolvimento.
Do Movimento Cineclubista origina-se grandes lideranças políticas e civis desta nação, o cinema novo, em tese, bases do Terceiro Setor. Este movimento merece menção honrosa, na história do desenvolvimento humano e cultural do Brasil, tendo atravessado diversas gerações desde o primeiro cineclube brasileiro em 1928, tendo sido palco de diversos debates e surgimento de diversas propostas que vão de encontro com o desenvolvimento social, político, cultural e humano.
Ao passo de minha jovem participação e aprendizado, como cineclubista, não consigo entender o que chamamos de crise, como também vou contra qualquer embate de ideal e vertente, quando este embate se dá na busca pelo poder politico e se torna até chauvinista e radical.
Enfim, o que mais me encanta, além do encontro de idéias e pessoas, ação que o cineclubismo sempre promoveu, além do compartilhamento, é o debate. O debate com respeito ao indivíduo e a história, o debate democrático. Acho mais do que válido ,quando me deparo com textos, propostas, encontros e desencontros de ideais por aqui nesta lista, acho que cada momento é único e contribuidor para o que chamamos história e desenvolvimento do movimento.
Paralelo , a possíveis entraves e crises, nós somos os grandes responsáveis, porque deixarmos de acreditar na dimensão que tem este movimento, e nas diversas possibilidades, e passarmos acreditar que existe alguma crise? Se agimos ou agirmos assim, de certo a criamos. Até porque no meu simples contexto, crise é uma palavra um tanto pesada, para definir resultas ou não resultados. É mais um preâmbulo político do que substantivo que possa definir um via de desenvolvimento qualificado.
Se há, ao meu ver, é um pouco mesmo crise de identidade. Porque cada vez mais, somos um movimento cineclubista composto por tantos outros movimentos e eixos.
Estamos inseridos nos diversos debates e temas desenvolvidos e produzidos na Sociedade Brasileira.
Temos cineclubes que discutem a questão ambiental, cineclubes de cinéfilos, cineclubes que atuam nas construção de políticas públicas, cineclubes em defesa do movimento negro, em defesa da sexualidade e relações homoafetivas, cineclubes que apenas promovem ações de lazer.
Fato é que ao longo destes sete anos , o movimento cresceu e vem se disseminando assustadoramente de forma fascinante por todo o Brasil, possibilitando o acesso ao cinema em suas diversas formas de exibição, dai me recordo de um vídeo produzido na 26ª Jornada de Cineclubes em Santa Maria-RS, com o título Toda Forma é Cinema. ( http://www.youtube.com/watch?v=h0Y2AYgFgFk )
Se pensarmos que o Cineclubismo surgiu em contraposição ao monopólio de mercado, na valorização do cinema sem tela, nos direitos do público de ter acesso a cultura e aos filmes, que houve uma época que abordamos e ainda defendemos a bandeira de luta em defesa do cinema brasileiro, quando deste movimento se originou, não só grandes cineastas, mas cinematecas e diretrizes do cinema brasileiro.
E ainda, constatamos que houve outros anos, quando o Cineclube meio que escapou de algumas Leis Severas da Ditadura Militar, e muita gente deixou de ir ao Cineclubes para ver filmes, mas para reunir contra a censura e a Ditadura Militar. E ai, sem conhecimento histórico, ao meu ver, pode ter sido a partir dai, que passamos a abranger as atenuantes em defesa do cinema, para uma amplitude maior dentro do desenvolvimento político e humano. Nos contraponto a atitudes e posições que feriram nossa Legislatura Brasileira e os princípios da democracia.
Acho importante citar aqui, segundo meu conhecimento, de que atividade cineclubista, é reconhecida pela Lei Brasileira, já desde esta época, quando o cineclube escapou (acho que é do AI-5 - Felipe me salva ai...rs), por ter sido reconhecido como Atividade Legal (legalizada).
Hoje, fato é que após 35mm e 16 mm, com a vinda do VHS que tão logo já se foi, a vinda do DVD que já começa a partir também; no surgimento do suporte digital, do data show, exibição não só no telão, mas na parede, nos muros e em velas ou jangadas; encontramos diversas formas de existir e garantir a democratização do acesso ao cinema como expressão do sonhos e do imaginário popular.
Hoje, não só exibimos, mas muitos dos cineclubes atuais, também produzem seus filmes.
O grande desafio ao meu ver, é compreendermos estas evoluções e revoluções, a interação com o desenvolvimento humano, social e cultural, à pensar no cineclubismo e suas diversas formas sociais , humanas e imateriais.
Verdade e evidente, que chega um momento crucial, e acho que é uma grande proposta para a próxima Jornada Nacional de Cineclubes, a Criaçãode uma Comissão de Estudo da História e Desenvolvimento do Movimento Cineclubista Brasileiro, uma Comissão que não se atraque a embates políticos do Movimento, mas que possa de forma sensata avaliar todas as grandes lutas e conquista do Movimento Cineclubistas Brasileiro desde o seu surgimento há mais de 80 anos atrás. Pode até ser um GT da Jornada, o desenvolvimento histórico do Movimento Cineclubista, seus ganhos e perdas, suas contribuições ao desenvolvimento humano.
Como também acho, que poderíamos passar a propor uma Diretoria ou Comissão, e estudo, da atuação do Cineclubismo no segmento da juventude, e darmos talvez ênfase a capacitação da Juventude Cineclubista.
Acredito muito neste Movimento, e acho, o que devemos lutar e refletir, é que a próxima Jornada, continue a consagrar o encontro de idéias, o respeito ao ser humano e individuo, e que nunca mais este Movimento volte um dia a ser palco de disputas pessoais, confronto de ideais no campo do chauvinismo e não respeito a história de cada cineclubista.
Eu acredito que todos, um dia, pelo movimento em si, que foram considerados líderes do movimento e o são, a cada ano e gestão na história do Movimento, fizeram e fazem as suas contribuições fundamentais na construção da História e Consolidação do Movimento Cineclubista Brasileiro.
Nos resta e nos remete, a consagração do Movimento enquanto coletivo.
Conclamo, que possamos ser sensatos, que possamos sim, dar sempre continuidade ao debate. Volto-me para minha participação em 2004, na 25ª Jornada, quando sai com um gravador de aúdio simples, a entrevistas e perguntar a antigos cineclubista, sobre o que é cineclube, como era o cineclube nos idos de 70 e 80, o que significada a rearticulação do movimento. Enfim, passo a passo, vou saboreando minhas recordações, cada momento que vivi nos encontros cineclubistas, tanto com jovens cineclubistas quanto com ícones históricos do movimento.
Se pudesse resumir, cada convívio, daria um belo filme sobre cineclubismo. Aprendi a ter carinho por cada um que convivi ao longo dos anos, a respeitar suas peculiaridades individuais e buscar aprender com suas participação que somam ao movimento coletivo.
Alguns, nem mesmo conversavam entre si, outros se atracavam, uns sumiram por um tempo, outros sempre estiveram por aqui, mas a cada bate papo, olhando do ponto de vista do amor ao cineclubismo, foi um conteúdo e registro histórico, que compôs a minha formação cineclubista.
Para cada jovem cineclubista que se insere e vem para o movimento, eu acho fundamental saber da história deste movimento, ir ao bate papo com tantos ícones que contribuíram com o seu desenvolvimento e construção, como eu acho fundamental que aclamemos a paixão ao cineclubismo e a lucidez de sabermos que cada um de nós somos importantes e temos muito a contribuir a este movimento.
Acho que alguns pilares do que nós como cineclubistas sentimos, devem voltar a serem consagrados em nosso meio.
Acredito muito em cada cineclubista que convive, nos tantos que se tornaram ícones de aprendizado e admiração no que tange a minha formação pessoal...
Eu continuo por ai, entre processos de reconstrução de mim mesmo, sempre aflorando minhas recordações cineclubistas, em busca de mim mesmo, quando me perdi eu me encontrei. Sempre o eterno menino e cineclubista correndo por ai.... Sempre...
Por ai eu sigo, trago a saudade de amigos cineclubistas, de participar nas Jornadas Nacionais, e já em breve me preparando para fundar mais um cineclube, fortalecido pela vivência do tempo, e que possa ir de encontro com o imaginário popular, e estar a distância de um piscar de olhos de meu olhar para a tela e o filme, no compasso das batidas de meu coração cineclubistas.
Luciano Guimarães de Freitas
Militante Movimento Nacional de Cineclubes desde 2004
Cineclubista - Poeta - Eterno Menino
Espírito Santense.
Cineclubista - Poeta - Eterno Menino
Espírito Santense.
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