domingo, 18 de março de 2012

DO COTIDIANO AO CINECLUBISMO...

DO COTIDIANO À NASCENTE DO CINECLUBISMO.
Peculiaridades de minha vida comum.
Uma homenagem ao meu imensurável amigo, Antônio Claudino de Jesus.

É talvez mais um dia, apenas mais um dia na odisséia de minha vida. Queria dormir mais um pouco, ser envolto e estar preso pelo lençol à cama. Mas talvez eu seja mais um “ser programado” pela robótica rotina da sociedade humana.

Enfim, tomado pelo vírus de minha consciência levanto-me. Banhado da espada de meus delírios lúcidos e da certeza da transformação que eu vivo e a transformação e metamorfose cíclica que é a vida.

Meu caminho do apartamento até a banca de revistas é uma jornada em mais um dia na condição de meus pensamentos mortais. Adoro ler jornal, só não gosto tanto dos conteúdos que compõem o jornal. Mas ainda assim, sigo a jornada cíclica da vida.

Um bom dia ao porteiro, as belas pernas da mulher que passa por mim na calçada, o cachorro que tem o seu passeio matinal, o jornal e o vício de minha leitura

Eu me pergunto por que eu gosto de ler o jornal, se mudam os personagens, mas a trama é a mesma: violência, assalto, estrupo e violência sexual, hospitais lotados e promessas de um político que se acha um messias, mas têm a penitência de ser o diabo, pai da mentira, ou mesmo um falso profeta popular.

A salvação seria o caderno cultural, mas convenhamos que se a cultura é o resumo das novelas, nossa cultura anda em profunda decadência. Recorro aos filmes e suas sinopses, mas triste pela procura, raras vezes, consigo contemplar os filmes nacionais.

Da banca, sigo para a longa espera do ônibus coletivo, que carinhosamente chamo de “coletivo urbano”. Lá eu me encontro: ônibus lotado, o calor humano de um estresse extasiante.

O trânsito se entrelaça, devagar anda, é novo dia de um dia igual aos outros... O que transforma?
Transforma-me ver além dos uniformes das Empresas, marcas capitalistas que distinguem um trabalhador do outro. Transforma-me ver além da menina que prefere o MP3 a um bom papo.

Eu embarco na linha 507, Terminal de Laranjeiras ao Terminal do IBES, o trajeto é comum, o trânsito pela manhã nos parece uma tribulação profética, mas como todo ser temos nosso purgatório antes da redenção.

Chegamos a 3ª ponte, da capital do Espírito Santo, Município de Vitória, para a velha capital conhecida por Vila Velha; e como a transição do novo mundo para o velho mundo, é cheio de muitas histórias e lindas paisagens: o mar, o Convento da Penha, o porto, os catraieiros, os navios, tão logo sigo entregue aos ensejos e desejos da viagem.

Diante de tais maravilhas, destas lindas paisagens e representações, eu viajo por delírios e pensamentos inconstantes, não menos reais ou mais surreais.

Penso nas pessoas que um dia pensaram em se jogar da 3ª ponte no cumprimento do suicídio, talvez se conseguissem deixar de olhar “a dor e o sofrimento” e pudessem olhar a simplicidade das maravilhas entorno, amariam mais a vida. Verdade é que se não conseguem olhar as simples belezas e as raras paisagens que pairam em seus corações ou mesmo não conseguem caminhar pelos caminhos da emoção dentre de cada ser, dificilmente conseguirão olhar as graças e divinas de tais paisagens que os cercam.

A viagem continua, e após uma hora de romaria, enfim chego ao Terminal do Ibes.

Incrível é perceber; enquanto faço a minha jornada até o IBES, outras pessoas seguem sua matinal na contramão de meu sentido, constato que cada viagem é repleta do mesmo calor humano, mas ao mesmo, é tão diferente uma da outra e ainda mais complexa diante do ponto de vista de cada indivíduo. O que me confirma a tese de que nada é exato e tudo tem um ponto de princípio.

Eu desembarco e sigo minha odisséia matinal, me deparo com Jardim Guadalajara, e lá me recolho no recanto do cinema e do cineclubismo, lá estou na Rua Fernando de Noronha, envolto de pinturas, livros, retratos e claro, de muitos filmes.

Neste recanto, sou tomado pelo vírus incurável do cineclubismo, o desejo incessante de enxergar o mundo por outra estética que não seja esta robótica odisséia de consumo.

Posso dizer “que este recanto cineclubista para mim, está para uma nascente de rios cineclubistas, como o cineclubismo é a nascente principal do cinema brasileiro.”

Aqui, me deleito com as palavras, com os olhares, expressões, do fiel amigo Antônio Claudino de Jesus, queria defini-lo nesta crônica, mas a complexibilidade da mente humana é como a definição de “Claudino”.

Ele acorda, senta diante do computador, digita projetos, fomenta idéias em defesa do cinema e do audiovisual, em defesa do cinema de todos e para todos. Expõe idéias, conversa com os diversos setores do audiovisual, ouve, fala, escreve, debate e é debatido. Produz e recebe cultura.

Ao mesmo tempo, uma linda criança passa mal... E enquanto isso eu vou escrevendo esta crônica... Um carro buzina na rua, o cachorro late, o sobrinho liga, ele sai, conversa e aconselha e acolhe os amigos e a família, enfim a rotina grita, os delírios e sonhos resistem, e a vida segue. Ele sorri, toma café, conhaque, chora, sorri. Se alegra com a criança, divide a alegria com os amigos, aos mesmo que é capaz de sofrer cada sofrimento de cada amigo, é uma complexidade de dor e alegria, mas que resume no seu verdadeiro amor enquanto ser humano, sempre disposto a se doar.

Estar no recanto do Claudino, é assim... Uma pessoa que ama a todos e vive por todos, e ainda vive pelo cineclubismo. Um ser capaz de sorrir, de chorar, no entanto, é incapaz de não abraçar outro ser humano, um ser que tem sede de amar e necessita ser amado.

Clau é como uma daquelas paisagens quando viajamos para o interior, para as zonas rurais - sempre há uma imagem da pastagem e em meio ao pasto, uma árvore viva, que nos concede o sentimento de resistência, reflexão, solidão. Esta árvore resiste os furações da vida, ao desmatamento da esperança nos dias de hoje, esta árvore é sim, como Antônio Claudino de Jesus.

Assim como a árvore, Claudino é uma beleza rara. È um “jurássico” do cineclubismo e ao mesmo que é, fonte de inspiração, ao mesmo que renova suas forças e renasce como uma criança, em novas lutas e novas batalhas na missão de ser humano que é. Entendo e talvez seja até difícil compreender, que Clau é um destes seres iluminados, que nascem para doar sua vida em prol da humanidade.

Voltemos tão somente à casa do Claudino, estar aqui é saber que mesmo diante das adversidades desta odisséia robótica da vida, podemos ser felizes, sonhar e lutar por um ideal.

Aqui descubro que no filme da vida, em cada segundo e plano, seu roteiro é escrito a cada milésimo de segundo. Sendo modificado constantemente e continuamente.

Na certeza de que neste filme da vida, somos atores contracenando a existência, somos fotogramas e olhares que se refletem em imagens em movimento, e nos movimentamos na arte de sermos vida, na condição de sermos mais que humanos, sob a Direção de um universo maior e de um diretor maior que eu particularmente denomino com o nome supremo de DEUS.

Por Luciano Guimarães de Freitas
Poeta, Escritor
Militante do Cineclubismo desde 2004




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Cineclubando: CINECLUBISMOS X HISTÓRIA X CRISE X DESENVOLVIMENTO...

Cineclubando: CINECLUBISMOS X HISTÓRIA X CRISE X DESENVOLVIMENTO...: Da varanda de minha casa, na transe de meus pensamentos, eclosão de meu coração cineclubista, nos delírios de minha mente insana. "Era uma ...

CINECLUBISMOS X HISTÓRIA X CRISE X DESENVOLVIMENTO HUMANO E CULTURAL


Da varanda de minha casa, na transe de meus pensamentos, eclosão de meu coração cineclubista, nos delírios de minha mente insana.

"Era uma tarde, estava por ali, vivendo minha primeira Jornada Nacional de Cineclubes, o evento, a 25ª Jornada, após uma década de desarticulação. Embates de pensamentos e vertentes de ditos grupos e defesas de ideais. "

"Entre as entrevistas com ditos considerados hoje como dinossauros do Movimento Cineclubista, entre uma entrevista que presenciei com os "Feios, Sujos e Malvados" e a convivência tanto com o ambiente do debate e como com momentos de desrespeito a história individual e ao amor de cada militante ao cineclubismo. Quando quase que o evento vira um palco de guerra, sendo salvo pela lucidez de seus participantes. Estava eu ali, apenas um jovem sedento de libertação e aprendizado, apenas mais um nascimento de mais um cineclubista. Aconteceu ali, próximo ao cruzamento da Av. Ipiranga com a Av. São João, quando alguma coisa aconteceu em meu coração."


CINECLUBISMOS X HISTÓRIA X CRISE X DESENVOLVIMENTO HUMANO E CULTURAL

Eu, na minha mais lúcida loucura, revendo textos e vídeos sobre o cineclubismo, me peguei hoje na ousadia de escrever a minha visão, as minhas idéias não são pregações e teorias a serem seguidas, mas me são o que resulta no meu grito e amor ao cineclubismo. 

Sim houve época que me trai, trai os meus sonhos, minha própria fé na vida e no ser humano. Todos nós temos o direito de errar um dia, e o mesmo direito de reconstruir nossas atitudes. Todos nós um dia caímos, um dia nos levantamos. O que nos dignifica e nos permanece é jamais desistir de nossos sonhos. Entre tragédias de minha vida comum, porres de ópio humano, foi o cineclubismo a base de minha formação enquanto ser humano.


Conheci o Movimento Cineclubista no idos da 25ª Jornada Nacional de Cineclubes, ocorrida em São Paulo, era apenas um jovem, que compunha a retomada do Movimento, de forma tímida, mas sim, fui um dos jovens que ali iniciava trajetória e caminhada pelo cineclubismo. Para mim, que sou espírito-santense (tenho receios da palavra capixaba, pois não a reconheço como substantivo que defina o povo nascido no Espírito Santo, a acho pronome de quem nasça apenas na Capital), fiquei maravilhado tanto pelo debate, como encantado com a participação do Espírito Santo, e a união do Movimento entorno do Presidente Eleito Antônio Claudino de Jesus, que acima de Espírito-Santense, acima de militante e ícone do movimento cineclubista do Espírito Santo, eleito foi e presidente foi por mais 03 Gestões Bianuais, unido e consoante com um Coletivo de Cineclubistas que acreditaram numa corrente histórica na retomada do Movimento. Prevalece o respeito ao individuo e a consagração do coletivo.

Sim, de 2004 aos idos de 2012, foram grandes vitórias, se houveram derrotas, tudo é conjunto de aprendizado. 

O Movimento cresceu, avassaladoramente, atingindo todos os Estados Brasileiros, hoje, composto por diversos cineclubistas que atuam em diversos Movimento Sociais. Ao longo de a cada dois anos, sofre um forte processo de renovação e reoxigenação, é permanente o crescimento e viável perceber as tantas vertentes e idéias e peculiaridades que vem se agregando ao Movimento ao longo dos quase 07 anos de rearticulação.

Todo crescimento, tem seus destaques, suas ponderações e arguições, como também, tem seus entraves.

O que venho consagrar neste meu grito, é o sentimento que sonho emanar pelo Movimento Brasileiro, que é o amor ao que fazemos, ao que representamos, ao que somos.

Este movimento é a base de todo processo cinematográfico, mas que hoje se insere nos processos de desenvolvimento humano e social, e claro, cultural.

Temos um cadeira no Conselho Consultivo da SAv, atuação fundamental no Congresso Brasileiro de Cinema, forte identificação e aproximação com a Associação Brasileira de Documentarista e Curtametragistas, e além de representação, ícones fundamentais de colaboração, participação e atuação no cenário do Movimento Cineclubista Internacional.

O Movimento hoje, é reconhecido e respeitado, enfim temos o respaldo de anos de desenvolvimento. 

Do Movimento Cineclubista origina-se grandes lideranças políticas e civis desta nação, o cinema novo, em tese, bases do Terceiro Setor. Este movimento merece menção honrosa, na história do desenvolvimento humano e cultural do Brasil, tendo atravessado diversas gerações desde o primeiro cineclube brasileiro em 1928, tendo sido palco de diversos debates e surgimento de diversas propostas que vão de encontro com o desenvolvimento social, político, cultural e humano.

Ao passo de minha jovem participação e aprendizado, como cineclubista, não consigo entender o que chamamos de crise, como também vou contra qualquer embate de ideal e vertente, quando este embate se dá na busca pelo poder politico e se torna até chauvinista e radical.

Enfim, o que mais me encanta, além do encontro de idéias e pessoas, ação que o cineclubismo sempre promoveu, além do compartilhamento, é o debate. O debate com respeito ao indivíduo e a história, o debate democrático. Acho mais do que válido ,quando me deparo com textos, propostas, encontros e desencontros de ideais por aqui nesta lista, acho que cada momento é único e contribuidor para o que chamamos história e desenvolvimento do movimento.

Paralelo , a possíveis entraves e crises, nós somos os grandes responsáveis, porque deixarmos de acreditar na dimensão que tem este movimento, e nas diversas possibilidades, e passarmos acreditar que existe alguma crise? Se agimos ou agirmos assim, de certo a criamos. Até porque no meu simples contexto, crise é uma palavra um tanto pesada, para definir resultas ou não resultados. É mais um preâmbulo político do que substantivo que possa definir um via de desenvolvimento qualificado.

Se há, ao meu ver, é um pouco mesmo crise de identidade. Porque cada vez mais, somos um movimento cineclubista composto por tantos outros movimentos e eixos.

Estamos inseridos nos diversos debates e temas desenvolvidos e produzidos na Sociedade Brasileira.

Temos cineclubes que discutem a questão ambiental, cineclubes de cinéfilos, cineclubes que atuam nas construção de políticas públicas, cineclubes em defesa do movimento negro, em defesa da sexualidade e relações homoafetivas, cineclubes que apenas promovem ações de lazer.
Fato é que ao longo destes sete anos , o movimento cresceu e vem se disseminando assustadoramente de forma fascinante por todo o Brasil, possibilitando o acesso ao cinema em suas diversas formas de exibição, dai me recordo de um vídeo produzido na 26ª Jornada de Cineclubes em Santa Maria-RS, com o título Toda Forma é Cinema. ( http://www.youtube.com/watch?v=h0Y2AYgFgFk )

Se pensarmos que o Cineclubismo surgiu em contraposição ao monopólio de mercado, na valorização do cinema sem tela, nos direitos do público de ter acesso a cultura e aos filmes, que houve uma época que abordamos e ainda defendemos a bandeira de luta em defesa do cinema brasileiro, quando deste movimento se originou, não só grandes cineastas, mas cinematecas e diretrizes do cinema brasileiro.

E ainda, constatamos que houve outros anos, quando o Cineclube meio que escapou de algumas Leis Severas da Ditadura Militar, e muita gente deixou de ir ao Cineclubes para ver filmes, mas para reunir contra a censura e a Ditadura Militar. E ai, sem conhecimento histórico, ao meu ver, pode ter sido a partir dai, que passamos a abranger as atenuantes em defesa do cinema, para uma amplitude maior dentro do desenvolvimento político e humano. Nos contraponto a atitudes e posições que feriram nossa Legislatura Brasileira e os princípios da democracia.

Acho importante citar aqui, segundo meu conhecimento, de que atividade cineclubista, é reconhecida pela Lei Brasileira, já desde esta época, quando o cineclube escapou (acho que é do AI-5 - Felipe me salva ai...rs), por ter sido reconhecido como Atividade Legal (legalizada).

Hoje, fato é que após 35mm e 16 mm, com a vinda do VHS que tão logo já se foi, a vinda do DVD que já começa a partir também; no surgimento do suporte digital, do data show, exibição não só no telão, mas na parede, nos muros e em velas ou jangadas; encontramos diversas formas de existir e garantir a democratização do acesso ao cinema como expressão do sonhos e do imaginário popular.

Hoje, não só exibimos, mas muitos dos cineclubes atuais, também produzem seus filmes. 

O grande desafio ao meu ver, é compreendermos estas evoluções e revoluções, a interação com o desenvolvimento humano, social e cultural, à pensar no cineclubismo e suas diversas formas sociais , humanas e imateriais.

Verdade e evidente, que chega um momento crucial, e acho que é uma grande proposta para a próxima Jornada Nacional de Cineclubes, a Criaçãode uma Comissão de Estudo da História e Desenvolvimento do Movimento Cineclubista Brasileiro, uma Comissão que não se atraque a embates políticos do Movimento, mas que possa de forma sensata avaliar todas as grandes lutas e conquista do Movimento Cineclubistas Brasileiro desde o seu surgimento há mais de 80 anos atrás. Pode até ser um GT da Jornada, o desenvolvimento histórico do Movimento Cineclubista, seus ganhos e perdas, suas contribuições ao desenvolvimento humano.

Como também acho, que poderíamos passar a propor uma Diretoria ou Comissão, e estudo, da atuação do Cineclubismo no segmento da juventude, e darmos talvez ênfase a capacitação da Juventude Cineclubista.

Acredito muito neste Movimento, e acho, o que devemos lutar e refletir, é que a próxima Jornada, continue a consagrar o encontro de idéias, o respeito ao ser humano e individuo, e que nunca mais este Movimento volte um dia a ser palco de disputas pessoais, confronto de ideais no campo do chauvinismo e não respeito a história de cada cineclubista.

Eu acredito que todos,  um dia, pelo movimento em si, que foram considerados líderes do movimento e o são, a cada ano e gestão na história do Movimento, fizeram e fazem as suas contribuições fundamentais na construção da História e Consolidação do Movimento Cineclubista Brasileiro.

Nos resta e nos remete, a consagração do Movimento enquanto coletivo. 

Conclamo, que possamos ser sensatos, que possamos sim, dar sempre continuidade ao debate. Volto-me para minha participação em 2004, na 25ª Jornada, quando sai com um gravador de aúdio simples, a entrevistas e perguntar a antigos cineclubista, sobre o que é cineclube, como era o cineclube nos idos de 70 e 80, o que significada a  rearticulação do movimento. Enfim, passo a passo, vou saboreando minhas recordações, cada momento que vivi nos encontros cineclubistas, tanto com jovens cineclubistas quanto com ícones históricos do movimento. 

Se pudesse resumir, cada convívio, daria um belo filme sobre cineclubismo. Aprendi a ter carinho por cada um que convivi ao longo dos anos, a respeitar suas peculiaridades individuais e buscar aprender com suas participação que somam ao movimento coletivo.

Alguns, nem mesmo conversavam entre si, outros se atracavam, uns sumiram por um tempo, outros sempre estiveram por aqui, mas a cada bate papo, olhando do ponto de vista do amor ao cineclubismo,  foi um conteúdo e registro histórico, que compôs a minha formação cineclubista.

Para cada jovem cineclubista que se insere e vem para o movimento, eu acho fundamental saber da história deste movimento, ir ao bate papo com tantos ícones que contribuíram com o seu desenvolvimento e construção, como eu acho fundamental que aclamemos a paixão ao cineclubismo e a lucidez de sabermos que cada um de nós somos importantes e temos muito a contribuir a este movimento.

Acho que alguns pilares do que nós como cineclubistas sentimos, devem voltar a serem consagrados em nosso meio.

Acredito muito em cada cineclubista que convive, nos tantos que se tornaram ícones de aprendizado e admiração no que tange a minha formação pessoal...

Eu continuo por ai, entre processos de reconstrução de mim mesmo, sempre aflorando minhas recordações cineclubistas, em busca de mim mesmo, quando me perdi eu me encontrei. Sempre o eterno menino e cineclubista correndo por ai.... Sempre...

Por ai eu sigo, trago a saudade de amigos cineclubistas, de participar nas Jornadas Nacionais, e já em breve me preparando para fundar mais um cineclube, fortalecido pela vivência do tempo, e que possa ir de encontro com o imaginário popular, e estar a distância de um piscar de olhos de meu olhar para a tela e o filme, no compasso das batidas de meu coração cineclubistas.



-- 
Luciano Guimarães de Freitas

Militante Movimento Nacional de Cineclubes desde 2004
Cineclubista - Poeta - Eterno Menino
Espírito Santense.
www.cineclubando.blogspot.com

www.deliriosecotidiano.blogspot.com

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O FIM DE UM SONHO

O FIM DE UM SONHO.
Trajetória Cultural do Cineclubismo em Linhares/ES

Era uma final de tarde de 19 de maio de 2008, quando nos reunimos na Avenida João Calmon no Município de Linhares, éramos catorze jovens pensando a reflexão através do cinema, o encontro com a sétima arte. Queríamos promover não só o acesso ao cinema, como o encontro real das comunidades com ele. As comunidades iriam organizar suas próprias sessões de cinema, escolher os filmes após as exibições, promoveríamos um debate em torno do cotidiano popular, suas lutas, angústias, a vida popular diante do imaginário do próprio povo. Assim nasceu o Cineclube Juparanã.

Estávamos eufóricos com a possibilidade, nos filiamos ao Conselho Nacional de Cineclubes, tínhamos a possibilidade de fazer grandes ações no Município. Realizamos Sessões de Cinema em algumas Escolas, Oficinas de Formação Cineclubistas e Edição de Vídeos nas comunidades de Povoação, Pontal do Ipiranga e Regência.

Lembro-me quando aprovamos o Projeto na Lei Lastênio Calmon, teríamos recursos para construir uma estrutura para o nosso sonho, e poderíamos contratar estagiários da Rede Pública de Ensino, o sonho abriria janelas para outros sonhos, mas que ao passar do tempo e dos anos se diluía pela ilusão. Nós nunca recebemos os documentos de bônus da Lei para captarmos recursos, tanto pela irresponsabilidade da Gestão Municipal na época quanto pela não continuidade e desejo de uma solução da Atual Gestão, e assim foi se diluindo e passando os dias de nossa trajetória, com a falta de apoio os jovens foram se dispersando, o sonho resistiu aos anos, mas não se materializou na realidade das falsas promessas e se perdeu pelo espaço do tempo, se resguardando apenas em nossas doces e amargas lembranças.

O Cineclube criado em Linhares, nunca teve o apoio e reconhecimento, quando do Projeto aprovado, meu olhos se encheram de água, era nosso primeiro projeto e a possibilidade realizar grandes ações, com estrutura e recursos humanos.

O tempo passou,  ao longo dos anos, realizamos Oficinas, Exibições em Escolas e em algumas Comunidades, realizamos a Mostra Cineclubista da Região Norte do ES; participamos da Jornada Nacional de Belo Horizonte e Recife, da Conferência Mundial de Cineclube em Recife, de duas edições do Festival do Audiovisual Internacional de Atibaia-SP.

O Movimento Nacional de Cineclubes sempre teve um olhar por Linhares, chegamos a propor a realização de um Encontro Estadual de Cinema, tínhamos a pretensão de estimular a criação de Circuitos Populares de Cinema no Município, além de um Circuito de Produção de Filmes na Rede de Educação, buscando resgatar a cultura através do cinema pelos próprios estudantes. Mas nunca fomos ouvidos, ou se fomos, as palavras entraram por um ouvido e saíram pelo outro.

Entre tantos fatores, o que mais nos deixa chateado, é ver a realização de ações que visam mais o voto popular e o status social do que o real desenvolvimento da cultura no âmbito popular. Quando faço esta crítica, não falo das diversas manifestações, que são muitas. Algumas poucas ainda atingem a participação do povo em massa, mas ambas carecem da vertente política, política quando tratamos de um debate em torno de políticas públicas para o processo cultural no Município.

Algumas vezes propomos a realização de um Fórum Municipal de Cultura, mas parecem temer a opinião e o encontro com o povo, parecem preferir o olhar individual na escrivaninha ao abraço das massas em torno da tela.

A melhor forma de preservamos a história e a cultura, vai além da boa estrutura, da bela praça, pois até os monumentos envelhecem com o tempo. 
A melhor forma é levarmos para as Escolas não só os eventos culturais, mas possibilitar um olhar não de nossos olhos para as escolas, mas da escola ao reflexo de nosso olhar. Realizar Oficinas, incentivar tanto a escola quanto o povo a produzir cultura, é o melhor caminho para o desenvolvimento cultural. 

Mas ao que mais parece ainda reina o coronelismo e as obras individuais, pois os poderes públicos ainda temem a consciência popular.

Em 2008 buscamos o aparato e abraço do Departamento Cultural de Linhares, a Secretaria Municipal de Cultura, algumas vezes cometemos a falha do elogio precipitado, a pura verdade dos fatos é que nunca tivemos um real apoio que ficou apenas na boa palavra da promessa, em algumas poucas intervenções e apenas tivemos o aperto de mão nos momentos em que fomos destaque e diante dos olhares do povo. Pois quando propomos uma real parceria, ela esbarrou nos dogmas da burocracia e nos âmbitos pessoais, que diga-se de passagem ficaram apenas na troca de elogios, pois o fato a Atual Gestão Cultural do Município, apenas sempre alegou a falta de recursos humanos para realização de um Polo Cineclubista, uma desculpa simplista, pois a verdade é a que sempre preferiram a realização de Exibições no Moldes do Cinema na Praça, pelo fato de ser esta uma ação alicerçada na politicagem, na vitrine de ações, e que sempre manteve a ação com uma Bandeira Maior do Individualismo, do que eu fiz, do estamos fazendo, tão embora, esta ação não tem raiz nenhuma na escolha do filme ou no debate sobre o cinema como expressão popular.

Gestão Cultural não se faz de uma forma elitizada e nem com realizações pessoais, mas se faz buscando o desenvolvimento popular da cultura. A promoção do acesso ao bens culturais é incompleta senão houver a real participação do povo no que é concepção de cultura. A carência da consciência de política pública e visão política das Gestões Municipais.

Por Linhares meu enorme carinho, pelos amigos que fiz na Jornada por esta estrada as margens do Rio Doce, meu saudoso reconhecimento e boas lembranças.

No entanto, meu repúdio por perceber a carência de ações que busquem alçar a voz popular do público e descobrir apenas a intenção da vitrine de atividades para justificar a não realização do canto cultural do povo. Vendeu-se os títulos das ações mas não se comprou o real desenvolvimento cultural e social.

Surge dai um dos fatores da proliferação da violência e o assassinato de jovens nas vielas da vida no Município. A falta de políticas públicas e sociais com participação direta da voz popular voltadas para a juventude e formação do cidadão.

Uma nação sem o desenvolvimento de sua cultura encontra a ilusão de seu progresso. Uma sociedade que aparelha muito mais quem pune do que quem educa se torna doente. Quando Linhares terá um real desenvolvimento de sua cultura nos âmbitos estudantis e na juventude? Quando terá um debate que ouvirá a massa popular e dará espaço para a manifestação popular? Quando a Secretaria Municipal de Cultura irá promover um desenvolvimento cultural desvinculado do palanque político e eleitoreiro?

São perguntas que corrompem a minha alma e cortam-me o coração.

O ápice do teatro da vida, não são as cenas que passam, e nem tão pouco a cena diante de nosso olhar quando o teatro busca se representar diante da platéia. A grande e intensa jogada, é quando se permite que nós, o povo, sejamos autores de nossa própria história.

Enfim, chegamos a 2011, três anos após a reunião daqueles jovens na Avenida João Calmon, quando pensamos em promover um olhar de nossa realidade e a voz popular diante do cinema, e o sonho de promover a produção de filmes por nosso próprio povo, resgatando e produzindo cultura.
Mas no infeliz desfecho da trama, perdemos o caminho dos sonhos e chegamos ao amargo fascismo  entre a promessa e a realidade.

No findar deste 2011, a última cena do filme é a extinção do Cineclube Juparanã a qual remeto ao Conselho Nacional de Cineclubes, na certeza de que a Secretaria Municipal de Cultura, que foi nossa maior esperança, na certeza  de que a Secretaria não pretende mesmo desenvolver o cineclubismo, quer seja pelas justificativas da falta de recursos humanos, quer seja pela falta de entendimento da enorme diferença do cineclubismo e o Projeto Cine Itinerante que atua nos moldes do Cinema na Praça, que carece tanto da consciência política quanto a formação cultural e social e torna o cinema um palanque de status político e eleitoreiro.

Quer seja pela realização de uma Gestão Pública Cultural engessada, elitizada e centralizada, que apenas se utiliza das manifestações sociais e culturais para fins políticos e o povo que produz cultura como exposição para uma Elite Social que tanto nos desmerece e não consegue compreender uma só nota ou acorde de nosso canto.

Nos momentos pertinentes os meus sinceros aplausos para a Secretaria Municipal de Cultura a Gestão Municipal, mas minha devida crítica quando faz-se necessário o meu grito quando o meu coração sofre e sangra, tanto por abrir os olhos e ver a verdade encoberta, como pelo fogo amigo e a falácia do sol da promessa.

Hoje não é só o fim do Cineclube, é o fim de um sonho, do imaginário de ver o filme rodando na tela e sendo o caldo para revoluções culturais, de ver o encontro do cinema com o público cidadão, na busca pelo debate do desenvolvimento de condições dignas de vida e olhar sob nosso cotidiano popular. Infelizmente a Gestão Cultural do Município de Linhares segue o modelo da exibição descompromissada com a formação de público e a formação do cidadão. Não só a Gestão Cultural, mas diversas ações carecem de uma política pública de formação social e a busca de um olhar para com os jovens e as comunidades.

Morre o Cineclubismo, morres os sonhos, como tão logo vão morrendo nossos jovens e nossa cultura dando lugar a cultura do consumo e da corrupção, do descaso com que é público e o descompromisso com a formação de uma sociedade alicerçada na democratização do acesso pela maioria ao direito de voz, direito pela vida, e direito de acesso aos bens culturais e sociais. Desta forma, todo desenvolvimento alcançado é a pura falácia da ilusão, um desenvolvimento que sempre será para poucos e incompleto.

Minhas sinceras argüições, meu breve relato sobre os últimos anos e o fim do filme na tela que já alcança e projeta os créditos finais, oras sem créditos e descréditos, a verdade precisava ser gritada.

Basta o silêncio, a oração dos sábios.

Eu Luciano Guimarães de Freitas, Fundador do Cineclube Juparanã, único remanescente daqueles jovens que fundaram o Cineclube no dia 19 de maio de 2008, Diretor de Relações Institucionais, do Cineclube , venho a público manifestar o fim e a dissolução do Cineclube Juparanã, bem como sinceramente, reconheço o não apoio e desejo da Gestão Cultural do Município em desenvolver ações cineclubistas. Mas simples assim, apenas estão interessados no palanque político, o qual eu não me ateio a fazer parte.

As justificativas para mim são pura falácia de quem se ampara nos Status Social e no Conhecimento Individual. Resultado: Fomos iludidos pelo bom cordeiro.

Assumo publicamente, os meus erros e minha fé precipitada de tal e igual forma. Acreditamos demais...

É com o coração sangrando, os olhos emaranhados de água, que reconheço o fim do Cineclube no Município de Linhares.


Por Luciano Guimarães de Freitas
Militante do Movimento Nacional de Cineclubes desde 2004
Fundador do Cineclube Juparanã

lucianoprodcultural@gmail.com
cineclubejuparana@gmail.com

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Cineclubando: DESENVOLVIMENTO CULTURAL - LINHARES/ES

Cineclubando: DESENVOLVIMENTO CULTURAL - LINHARES/ES: Todo processo cultural que vem-se desenvolvendo no Município de Linhares, vem consolidando Linhares como Pólo de Desenvolvimento Cultural ...

DESENVOLVIMENTO CULTURAL - LINHARES/ES



Todo processo cultural que vem-se desenvolvendo no Município de Linhares, vem consolidando Linhares como Pólo de Desenvolvimento Cultural na Região Norte do Estado do Espírito Santo.

Desde a formatação de uma Secretaria Municipal de Cultura, dando uma atenção especial ao Processo Cultural, passando pela Implementação de um Circuito de Exibição de Filmes nas comunidades de Linhares, até as mais variadas manifestações culturais vivenciadas no Município.

Não se pode esquecer, da história cultural de Linhares, desde a passagem do Imperador, as honras de herói de Caboclo Bernado, as pinturas da Artista Nice Avanza, até os dias de hoje, através do congo, poesia, música, folias de reis, capoeira e toda diversidade cultural de Linhares. Destaca-se também quando no ano de 2008, começou a germinar a semente do cineclubismo, na busca da democratização do acesso a sétima arte, ao cinema. Buscando o cinema, não como instrumento de consumo, mas como ferramenta fundamental à construção de novos olhares, o reflexo da imagem em movimento, pela estética cultural, o cinema diante do público produtor e receptor cultural, propondo uma dialética filme/público, um debate sobre o cotidiano e o desenvolvimento social e cultural.

O cineclube em Linhares, de fato, é mais um difusor da consagração dos Direitos do Público de ter acesso ao cinema, difundindo ações cineclubistas, propondo o acesso ao cinema, nas escolas, nos centros comunitários, nas instituições, bem como, o intercâmbio com as diversas manifestações através do audiovisual. O Cineclube vem aflorando, e buscando o seu amadurecimento, mesmo sem nunca ter sido um ponto, uma Sede ou mesmo um ápice como Instituição Civil, sempre foi uma vírgula em todo processo cultural, permitindo-se novas escritas e versos, reticencias e jamais um ponto final em absoluto, o cineclubismo linharense é o marco do encontro de jovens, sonhos e a possibilidade de idéias. 

Do Cineclube, da sonhada idéia de um circuito de exibição e debate nas comunidades, surgiu a semente da necessidade de levar o cinema de uma forma mais popular e participativa para as comunidades. Na certeza de que não era somente exibir o filme, mas sim debater sobres os temas sociais abordados pelo filme, não era somente ver os planos cinematográficos, mas nos ver na tela e perceber nosso cotidiano cultural e popular na imagem em movimento, fazendo do movimento das imagens, a transformação de nossos olhares e construção de diversas ações na busca de condições democráticas do acesso a cultura.

E isto, Linhares fez bem, quando se propôs, a criar o Cine Itinerante, nos moldes do cineclubismo, levando o cinema as comunidades, e ouvindo estas comunidades, como produtoras e receptoras de cultura. Quando passou-se a Exibir Filmes dentro do Presídio, ou na Casa de Recuperação Resgate, utilizando do audiovisual no processo de reflexão e ressocialização. Toda arte, sim, por si, se propõe ao questionamento, ação que toda arte faz.

Hoje, 12 de setembro, acontece mais um marco em todo processo cultural de Linhares, quando Linhares recebe uma Carta parabenizando as ações da Secretaria Municipal de Cultura, alicerçadas na atual Gestão Municipal e na competência do Secretário Municipal de Cultura. 

Este reconhecimento, é de fato, um marco em todo processo cultural, carta esta, prescrita, pela Federação Internacional de Cineclubes, Entidade amplamente reconhecida, por alta gama de Entidades Culturais em todo o Mundo, em especial no Brasil, pelo Ministério da Cultura e toda Coalizão Brasileira em prol da Diversidade Cultural. A Federação Internacional de Cineclubes é composta por mais de 50 Países, e tem se destacado na Campanha pelos Direitos do Público, de acesso a cultura.

"É evidente que o desenvolvimento e o progresso, assim como a democracia, são incompletos senão estendidos aos bens culturais.  Verdade é que o não desenvolvimento da cultura é a falência de uma nação.
É justo parabenizar ao Município de Linhares e a atual Gestão Municipal, por compreender a inserção da cultura no processo de desenvolvimento deste Município.
È evidente e necessário, parabenizar, esta Gestão, pela formatação de uma Secretaria Municipal de Cultura, que realmente realiza uma Gestão Cultural, um Município que não faz de seu processo cultural, alcunha de manobras e ações apenas políticas.
Ações políticas sim, quando busca o fomento de políticas públicas para a cultura. Como a reformulação do Conselho Municipal de Cultura e o desenvolvimento do Cine Itinerante, cineclubismo nas comunidades.

Reconhecemos o desenvolvimento da cultura em Linhares, através do audiovisual, democratizando o acesso ao cinema através do Projeto Cine Itinerante, levando o cinema às comunidades linharenses, dentro dos moldes cineclubistas e da consagração dos Direitos do Público.
Quando este Município vai além da exibição do filme, do encontro do cinema com o público, realizando um debate sobre o cotidiano popular através do cinema, e utilizando da sétima arte, para processo de aprendizagem plural e formação do cidadão.

A Federação Internacional de Cineclubes faz saber, e vem a público, reconhecer os trabalhos desenvolvidos dentro do universo do audiovisual e do cineclubismo, pela Secretaria Municipal de Cultura de Linhares, incentivados pelo Secretário Municipal de Cultura.

Colocamo-nos à disposição do Secretário Municipal de Cultura, Antônio Bezerra Neto, no desenvolvimento do processo de encontro do cinema e do cineclubismo, com as diversas manifestações culturais e sociais do Município. Na certeza da competência e capacidade cultural do Secretário a frente desta Secretaria, e por reconhecermos no Senhor Secretário competência, responsabilidade e compromisso com o que é público; razão maior de uma Administração Pública." (trecho da carta da FICC à Linhares).

CARTA DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE CINECLUBES, AO PREFEITO MUNICIPAL DE LINHARES, GUERINO ZANON.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

I MOSTRA CINECLUBISTA REGIÃO NORTE/ES

Aconteceu nos últimos dias 13, 14, 15, no Auditório da Faculdade Pitágoras, a I Mostra Cineclubista de Linhares.  Mostra contou com participação de Professores da Faculdade, a presença do Secretário Municipal de Cultura de Linhares, Antônio Bezerra Neto, e a presença do idealizador e produtor da Mostra, Luciano Guimarães de Freitas.

A Mostra exibiu o filme, Bagdá Café,o cineasta alemão Percy Adlon, buscando abordar os temas: Relacionamento Interpessoal e Humanismo.


A Mostra é um marco da retomada do Cineclubismo na Região Norte do Espírito Santo, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Conselho Nacional de Cineclubes e Federação Internacional de Cineclubes, é uma primeira ação, um primeiro passo, um trabalho de formiguinha, na busca de democratizar o acesso ao cinema no interior do Estado, mais do que isso, na busca do cinema como instrumento fundamental na construção cidadã de um mundo melhor, de um cidadão mais crítico e mais ativo na busca pela vida.


A Mostra contou com 04 apresentações durante três dias, para todos os turnos da Faculdade , aberto também para toda Comunidade em Geral, totalizando uma estimativa de público de 1.300 pessoas.


Abaixo segue a fala de Luciano Guimarães de Freitas, na abertura do evento:


"Salve, Doce Linhares
Esperança em meu olhar
Doce Ares,
Já não tenho como não te amar.


És berço de meu levante
Eu ressurjo como fênix e o renascimento
Linhares, em és sagrado instante
Sonhos, passos e palavras ao vento.


És Linhares, para mim, pedaço de minha costela
Para o mundo, da arte primitivista um berço
Agora, és vida, imagem em movimento nesta tela
Para mim, és reza, sonhos, poesia e meu terço. (Luciano G. Freitas)"




Crianças neste momento passam fome, a violência bate a porta a cada segundo, sonhos se perdem, chamas de esperança de apagam, o ser humano deixa de ser humano e deixa de amar-se.
Isto não os incomoda?
Pensamos em construir algo para as futuras gerações, mas se não fazermos algo pela nossa geração, não haverá futuras gerações. O momento é agora, é hoje.
O que você pode fazer para um mundo melhor?
O grande desafio de todos nós, seja qual for o curso universitário, seja qual for a profissão, é construir ações em nossas áreas específicas, que possam colaborar na construção de uma sociedade mais humana, de um mundo melhor.


Eu acredito no cinema como expressão popular, instrumento capaz de reunir pessoas, e ser um caldo de reflexões e formação de pensadores e atores neste teatro da existência, na construção de um mundo melhor... Por uma cultura de paz, pela diversidade, pluralidade e pelo coletivo.
Por um Brasil mais brasileiro, pelo resgate de nossa cultura e preservação de nossa história.


"O progresso e o desenvolvimento são incompletos senão estendidos aos bens culturais."


"Somos Jasmin, plantando sementes de amor e sonhos, de um mundo mais humano, na busca da vida neste Bagdá Café chamado terra."


"O sonho só é otopia, quando os passos nesta estrada deixam de ser o caminho de todos nós. Por isso ser humano é ser um conjunto, é ser plural, olhares que se olham, mãos que se dão, olhares que refletem a vida e se projetam na imagem em movimento."


É possível!


Viva ao cineclubismo em Linhares.


Pelos direitos do público e por um mundo melhor!




Por Luciano Guimarães de Freitas